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quarta-feira, 16 de março de 2011

A logística de olho nos consumidores de baixa renda

Apesar de ter a maior população de baixa renda do Brasil, o Nordeste tem uma massa salarial que atrai a atenção de grandes empresas. Há uma classe de consumidores, C , D e E, que se torna interessante para as industrias multinacionais, como Nestlé, Kraft Foods, Unilever, Bünge Alimentos, Reckitt e tantas outras.
As classes de menor poder aquisitivo representam 76% do povo brasileiro. A estratégia tem sido desenvolver produtos que atendam ao gosto, cheiro, paladar, visual e sensibilidade peculiares dos nordestinos. O cuidado se estende ao investimento em mídia e patrocínio nas principais festas juninas da região.
As classes C , D e E no Brasil podem ser consideradas de baixa renda, com o poder de compra de até oito salários mínimos. O poder de compra individual dessas classes é baixo, mas se levarmos em conta o seu consumo total, os números são muito elevados. Dos R$ 785 bilhões de consumo registrado no país, as três classes respondem por 36%, ou seja, R$ 283 bilhões.
Há mais de uma década no mercado do Nordeste, as margarinas Delícia, Primor e Bem-te-vi, relançadas pela Bünge Alimentos em 2001, foram formuladas para atender ao gosto do consumidor da região. As três marcas são fabricadas em Pernambuco e distribuídas para o restante da região. Juntas, garantem a liderança no quesito margarina para a Bünge Alimentos.
A empresa Unilever, detentora do sabão em pó ALA, tornou-se a segunda marca preferida das consumidoras do Norte e Nordeste. Há uma baixa quantidade de máquinas de lavar roupa por domicílio e as donas-de-casa estão mais envolvidas no processo de lavar roupas manualmente.
Empresas locais, como Pitu, Vitarella e Frevo, genuinamente pernambucanas, também entram na competição, desenvolvendo produtos e campanhas específicas para as classes de menor poder aquisitivo. É o caso da Vitarella, que lidera em massas e biscoitos nos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
Outro exemplo é a empresa Frevo, que entrou no mercado dominado pela Coca-Cola, Ambev e outras multinacionais, conquistando de imediato 15% do mercado nordestino. Paladar diferenciado, com o produto adocicado, a empresa vem conquistando a cada dia mais consumidores, chegando a obter 25% de participação na cidade do Recife.
O canal indireto, formado por atacadistas e distribuidores, é um parceiro importante dessas marcas, que começam sua trajetória de sucesso nas pequenas lojas de bairro, justamente na parcela que mais cresce dentro do varejo. Sua estratégia está focada em distribuição e preço, ganhando espaços nas áreas desvalorizadas pelas marcas líderes. Pesquisa realizada pela LatinPanel, empresa do grupo IBOPE, tendo estudado a trajetória de 28 categorias de produtos de consumo de 1992 a 2001, sinaliza que o supermercado de bairro cresceu em preferência. Em todas as categorias avaliadas, é o ponto de compra preferido pela classe "C". A pesquisa revela que os consumidores da classe "C" destinam 65% do orçamento para habitação e alimentação. Esse consumidor conhece e experimenta a marca líder, mas não consegue manter um poder de compra mais abastado.
As três classes detêm o consumo acima de 70% de biscoitos, massas, iogurtes, cremes para pele, sabonete e detergente.
Segundo levantamento, os 55 mil pontos de vendas no país são liderados por cinco grupos de redes hiper e supermercados, que concentram 40% do mercado.
As industrias estão adotando a alternativa de chegar ao pequeno varejo, já que hoje atendem a menos de 6 mil varejos. Fica excluída boa parte dos 8 mil chamados independentes (4 a 9 caixas). Os chamados independentes participam com 14,5% sobre o total de ponto de venda. O faturamento anual estimado é de R$ 15 bilhões. Com a saída do atacado do meio das compras, pode haver uma redução de custos até 10% para o varejo, refletindo em redução de 2% no preço final para o consumidor, além de colocar um número maior de produtos nas prateleiras.
Portanto, cabe às empresas envolvidas na cadeia de abastecimento refletir e analisar esse nicho de mercado. Investimentos públicos e privados estão sendo destinados para melhorias da infra-estrutura dos Estados do Nordeste e Norte do país, principalmente vinculados à logística, no que se refere estradas, portos, rios, aeroportos e na rede ferroviária. 
Marcílio José Bezerra Cunha - Consultor de empresas
e professor universitário
Diretor do GELPE e da J & B Consultores
www.marciliocunha.com.b

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